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| Apesar de sua intensa atividade médica, docente e administrativa, Waldomiro Manfroi nunca deixou de lado o prazer de ler e escrever literatura de ficção. |
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Tempo de Viver - 2ª edição |
Tempo de Viver pode ser encontrado no endereço www.biblioteca24x7.com.br |
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Médicos Escritores: uma tradição longa e de qualidade. |
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Férias
interrompidas. O autor de Férias interrompidas , Waldomiro Manfroi, nos apresenta mais uma obra ficcional. Ao analisarmos suas narrativas longas já publicadas, constatamos que, no primeiro romance, Tempo de viver, o autor se debruçou em questões da década de oitenta, dentre elas, a trágica e inesperada morte de um professor universitário, quando se encontrava na fase mais produtiva da sua carreira. Em cinco horas entre a vida e a morte, o autor faz a personagem mergulhar no passado e viajar, em delírio, na busca de um outro mundo possível. |
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Nesse hiato de existência, desfilam na mente
da personagem todo o universo por ela vivido e lembrado, dos cinco aos
quarenta e cinco anos. Nas suas lembranças, emerge seu mundo passado
e presente: a escola, a universidade, a política, as guerras, a
destruição da natureza pelo progresso, os meandros da política
na época da abertura, “As Diretas Já”. O romance,
como disse Cyro Martins, numa crônica sobre o Tempo de viver( Zero
Hora, 19 de dezembro de 1992, segundo caderno): “O personagem entrou
decidido no túnel do tempo. E foi arrastando o leitor.
Mas antes de empreender o que imaginava ser sua longa viagem, na realidade estava às portas do nada, experimenta mil sobressaltos, próprios dos pesadelos e da imaginação de certos ficcionistas do terror. Nesse transe o leitor esbarra com mil e uma resistências. Algumas vêm de fora, violentas como os turbilhões dos vendavais. São as inerentes à doença atual. Outras, porém, se originam no labirinto das almas. A habilidade do escritor consegue nos levar adiante, num encadeamento vertiginoso que se superpõe e que nos confundem. O que pretenderá Waldomiro Manfroi com essa corrida rumo ao imprevisto, em seu livro Tempo de viver? Com algum esforço, continuamos. Aquilo deverá chegar a alguma parte, a uma clareira, talvez. E aos que não sabem ou não lembram bem, esclareço que clareira – uma palavra bonita – é um espaço aberto no meio do mato. Obra da natureza ou do maldoso machado dos homens. Pois não é que o personagem agonizante é filho da floresta?”.
No segundo romance, O último vôo, o autor constrói sua narrativa ficcional relacionada com a tragédia que começava se projetar naquela época: os assaltos. Um homem, por não suportar a violência e a humilhação a que fora submetido durante um assalto em sua casa, decide se aposentar e viver numa praia longe dos grandes centros. Instado pelos amigos que veraneiam em férias no local, a contar sua extraordinária história, depois de muito resistir, aceita o desafio para contar como foi seu assalto. Durante os relatos, para ganhar tempo, ele conta outras histórias, onde se pode identificar a queda do Império Soviético, dez anos antes de aconteceu na realidade. A convivências e o futuro dos velhos no mundo atual. Neste romance, a ficção previu o que aconteceria com a sociedade por causa dos assaltos, 15 anos antes da realidade atual: as pessoas de bem presas por grades, os bandidos soltos. Segundo escreveu Laury Maciel sobre o Último vôo: “Manfroi concentra no drama vivido pelo herói ( para não dizer anti-herói) no crime que sofreu. Aborda, nas entrelinhas( e isto é o maior mérito do livro) a tragédia de viver do homem contemporâneo, vítima de uma sociedade que, a pretexto de se proteger, na verdade, se oprime”. No terceiro romance, A confissão do Espelho, o autor recupera uma paixão entre uma italianinha descendente de imigrantes e um índio remanescente dos guaranis das missões. A narrativa inicia na década de quarenta do século vinte e se estende até a década de oitenta do mesmo século. As personagens vivem, no começo da história numa pequena vila do interior, com seus hábitos, suas músicas sertanejas cantadas pelo índio Tabajara e, posteriormente, se reencontram na cidade grande, onde João, Rita e Tabajara, o triângulo das personagens centrais da história, tentam ou fantasiam uma reconstrução do passado. E como se manifestou Arnaldo Campos na orelha do livro: “João, o protagonista de mais este romance de Waldomiro Manfroi, é um atormentado indivíduo que deve contar ovelhas, segundo a lição da avó, para tentar conciliar o sono. Contará oitenta e cinco ovelhas na primeira noite. Na segunda, o sono chegou somente com trezentas. E na terceira, contou até o dia amanhecer e continuou acordado. Manfroi situa a ação de seus personagens no interior do Rio Grande do Sul. Uma pequena cidade, com todas aquelas figuras que lhes dão vida social. Há o bar, a boate, e prostitutas de cinqüenta mil-réis , ao som de Calu, Calu, para onde jovens inexperientes como João, são conduzidos por amigos mais velhos e familiarizados com o ambiente. Há o armazém do limitado comércio. Há o padre, sempre envolvido na vida alheia”. E há o que descreveu a Professora Lea Masina na sua análise crítica do romance Confissão do espelho: “Mas sendo por natureza inquieto e criativo, há algum tempo, Manfroi vem-se dedicando também à produção literária. Sensível ao desafio de articular, no texto ficcional, suas vivências de menino interiorano, ele escreve motivado pelo desejo de dar forma a seus fantasmas e a suas pulsões psíquicas. A sede do universo, ou sede do abismo, no dizer de Cyro Martins, que impele um sujeito a produzir textos literários, decorre, no seu caso, da tensão originada pela coexistência, no seu mundo íntimo, dos valores advindos de diferentes estratos culturais. De um lado, seus textos registram a força larvar das raízes indígenas sedimentadas na terra; de outro, documentam também uma cultura do tipo popular, a que se somam influxos italianos, provenientes da cultura do Vênito. Mas falar das narrativas desse médico-escritor obriga a tratar uma instigante questão: por que, cada vez mais, os médicos manifestam a necessidade de traduzir, no texto literário, as suas perplexidades diante da vida e da morte”? No quarto romance, Os demônios do lago, Manfroi faz uma restituição das vidas e dos costumes da cidade de Porto Alegre e de uma significativa parcela da história política do Brasil: a Coluna Prestes, a Intentona Comunista, a passarela da Rua da Praia nos finais de tarde, os bailes da Reitoria, as reuniões dançantes dos centros acadêmicos da Universidade, os remanescentes dos anarquistas italianos, a aventura na construção de Brasília e sua influência sobre a vida das pessoas.
Não satisfeito com seus relatos nos romances anteriores sobre a vida e a morte, o sofrimento, a humilhação das pessoas constrangidas por assaltantes, a vida trágica dos excluídos, a singular paixão entre um índio e uma jovem branca, até chegarmos ao chamado mundo de hoje, onde se incluem os passeios nos parques, a libertação das mulheres, as conquistas das minorias, Manfroi, de forma corajosa e instigante, decide enfrentar o que nos parece ser o maior dos seus desafios na sua ficção: montar uma narrativa relacionada com a intimidade do seu trabalho. Assim nos parece. Vejamos. Férias interrompidas é uma história que se passa com um cardiologista de prestígio na cidade. Ao se ver envolvido em dois acontecimentos singelos, mas que no rigor do juízo dos homens e dos Dogmas Religiosas, são classificados como crime e pecados, ele tenta, de todas as maneiras, se livrar do problema em nome de uma causa maior: salvar seu casamento. Surge, então, a primeira pergunta: esta narrativa é uma construção ficcional? Se o autor é um cardiologista que conhece o ritual do compromisso ético, técnico, acadêmico e científico, da sua profissão, não estaria nos relatando uma singular história verídica? Embora, inusitada, verídica? Estaria nos confessando um delito que um autor personagem cometera e usara o recurso da ficção para se justificar perante seus pares: mulher, filhos, alunos, clientes, colegas, amigos? Através da ficção, o autor torna públicos seus atos, alivia-se da culpa e das conseqüências. Não é assim que agem todos humanos fora-da-lei, quando pegos com a mão na botija? Mas é oportuno lembrar, também, que a culpa é um sentimento que destroça as pessoas em todas as instâncias, com mais insistência, no sono e nos sonhos.
Os Editores. |
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Os
demônios do lago. Durante as caminhadas nos parques as pessoas dão asas à imaginação e disfarçam sofrimentos. Nesse contesto devem ser entendidas a história de uma mãe, cujo filho é dependente químico, e as demais histórias contadas. Assim como Afrodite é a deusa grega do amor, da
alegria, da procriação, Dionísio é deus das
festas. Um companheiro que toda mulher gostaria de ter a seu lado. |
Alegre
amoroso insinuante, provocativo. Terá participado das aventuras
na África ou seria um louco sumido da família há
cinco anos? E Anacleto terá mesmo conhecido e arregimentado para
a causa revolucionária todas aquelas pessoas do sertão?
Terá sofrido uma transformação, com as quedas das ideologias, passando de um revolucionário anarquista a um burguês neoliberal? Estaria Fernando tão ocupado em Brasília que não poderia levar a esposa, ou teria outra família? São dúvidas que ficam para o leitor decidir e que reforçam a situação de impotência e de espera à qual as mulheres se submeteram.
Vale a pena conferir estes relatos são leves, agradáveis e muito interessantes. Quando o leitor pensar que está
matando a charada, a história toma novos rumos, que certamente
prenderão sua atenção e causarão muitas surpresas." |
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A
confissão do espelho. Prefácio Uma obra literária pode ser analisada sob diferentes aspectos - seu estilo, sua forma, seu conteúdo ou sua mensagem, entre muitos outros. O estilo e a forma caracterizam de tal forma o autor que não é fácil modificá-los. O conteúdo e a mensagem variam de obra para obra e todos esses fatores, em conjunto ou isoladamente, agradam a uns, desagradam a outros e dificilmente contentam a todos. |
João,
o protagonista de mais este romance de Waldomiro Manfroi, é um
atormentado indivíduo que deve contar ovelhas segundo a lição
da avó, para tentar conciliar o sono. Contará oitenta e
cinco ovelhas na primeira noite. “Na segunda, o sono chegou somente
com trezentas. E na terceira, contou até o dia amanhecer e continuou
acordado”.
Trata-se, portanto, de um personagem atormentado. Ele alcançou alguns degraus na escala política, posição que buscara desde os tempos de jovem. Mas buscara também o amor, deixara-se consumir, em parte, por uma paixão não correspondida. Entre o amor por Rita e a glória, o conformismo irrequieto, a necessidade de convocar rebanhos imensos de ovelhas para buscar a paz, pelo menos nas noites. Manfroi situa a ação de seu personagem no interior do Rio Grande do Sul. Uma pequena cidade do interior, com todas aquelas figuras que lhes dão vida social. Há o bar, a boate, com prostitutas a cinqüenta mil réis, ao som de “Calu, Calu”, para onde jovens inexperientes, como João, são conduzidos por amigos mais velhos e já familiarizados com o ambiente. Há o armazém de limitado comércio. Há o padre, sempre envolvido na vida alheia. E há o índio Tabajara, que ousa se apaixonar por Rita, a mulher branca, e pagará com a vida por essa ousadia. O interior de Manfroi é de um tempo em que as etnias se confrontavam, sacrificando especialmente negros e índios, a minoria. Os Amaral e os Rodrigues representam as correntes políticas: getulistas, os primeiros, e cristianistas, os segundos. Naquele tempo, como ainda hoje, aqui e ali, os enfrentamentos acabavam em pancadaria e, não raro, em morte. No final da campanha, o retrato do “Velhinho” Getúlio voltará às paredes. Mas isso é apenas uma constatação histórica a dar mais cor política ao texto. O romance, já disse alguém,
é a vida íntima das nações. Manfroi, o autor
deste “A confissão no Espelho”, vai por aí.
A política, como pano de fundo, exacerbando as paixões na
busca do poder, inquietando as pessoas, interferindo na conduta de cada
um, chegando à cama dos casais, cônjuges ou amantes. A política
mexendo com tudo e com todos, sem que o autor escorregue na simpatia por
esta ou aquela facção, por esta ou aquela ideologia, imparcialidade
necessária para que se alcance bom resultado em ficção.
Confissão do Espelho: o tema do encontro especular Cardiologista renomado, Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde exerceu o cargo de Pró-Reitor de Extensão, Waldomiro Manfroi desfruta o reconhecimento unânime de colegas, amigos e pacientes. Isso lhe é justamente devido em função do trabalho que há anos realiza, como médico e pesquisador de destaque nos meios científicos sul-rio-grandenses e brasileiros. Mas sendo, por natureza, inquieto e criativo, já há algum tempo Manfroi, vem-se dedicando também à produção literária. Sensível ao desafio de articular, no texto ficcional, suas vivências de menino interiorano, ele escreve motivado pelo desejo de dar forma a seus fantasmas e a suas pulsões psíquicas. A sede de universo, ou sede de abismo, no dizer de Cyro Martins, que impele um sujeito a produzir textos literários, decorre, no seu caso, da tensão originada pela coexistência, no seu mundo íntimo, dos valores advindos de diferentes estratos culturais. De um lado, seus textos registram a força larvar das raízes indígenas sedimentadas na terra; de outro, documentam também uma cultura de tipo popular, a que se somam influxos italianos, provenientes da cultura do Vêneto. Essa mistura, por sua vez, data da infância vivida em Pinhal, antigo distrito de Palmeira das Missões, no Rio Grande do Sul, de onde advém o substrato temático que dá forma à sua ficção. Mas falar das narrativas desse médico-escritor obriga a tratar uma instigante questão: por que, cada vez mais, os médicos sentem a necessidade de traduzir, no texto literário, as suas perplexidades diante da vida e da morte ? Talvez a resposta esteja na essência da mesma da arte que, partindo de situações-limite, transfere para o universo ficcional algumas questões que são, na vida comum, fatalmente insolúveis. Tais questões, que sensibilizam o homem desde sempre, submetendo-o a um sofrimento insuportável, resumem-se na certeza de que vivemos de um modo trágico. E de que nos diferenciamos uns dos outros apenas pelo modo, apaixonado ou não, pelo qual nos debatemos no espaço que separa a vida e a morte. Escrever torna-se, pois, o registro de uma experiência de vida que se coletiviza porque se quer permanente.
Porto Alegre, agosto de 1998. |
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O
ultimo vôo. Apresentação
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| Além disso, na gestão de importantes cargos na esfera federal ( Professor universitário, ex.- Pró-Reitor de extensão da UFRGS, ex-Diretor da Faculdade de Medicina), enfrentou ( e soube resolvê-los) naturais conflitos humanos. Toda essa bagagem aproveitou-a muito bem como matéria-prima, reduzindo-a a palavras, através de um processo criativo seu, próprio, dando lugar a uma outra realidade mais verdadeira, que é a realidade ficcional. Na presente obra Waldomiro Manfroi usa, como fio condutor do relato, a tragetória de um personagem que, como tantos mortais, nestes dias de violência, sofreu um assalto. Mas isto é apenas o pretexto de que se vale o Autor para, concentrando o drama vivido pelo herói ( para não falar em anti-herói) no crime que sofreu, abordar, nas entrelinhas ( e isto constitui o maior mérito do livro) a tragédia de viver do homem contemporâneo, vítima de uma sociedade que, a pretexto de o proteger, na verdade o oprime. Neste sentido, o Narrador vai agrupando episódios aparentemente sem importância os quais, aos poucos, estruturando-se, vão desnudando o protagonista, em sua caminhante vida de que fala Gil Vicente, em seu “Auto da Alma”. Na verdade, a viagem que o personagem principal empreende pelo mundo é uma viagem que transcende o solo físico para, simbolicamente, converter-se em outra, esta questionadora da condição humana. Portanto, não estamos aqui na presença de uma narrativa meramente linear. O autor pode até ter tido a intenção de contar uma história. E com certeza contou-a . Mas a verdadeira esconde-se nos desvãos dos signos poéticos, legível apenas por pessoas acostumadas a lidar com a palavra. Isto é, o leitor comum acompanhará com interesse a trajetória do personagem em suas aventuras mundo afora, até sofrendo com ele suas vicissitudes e reveses. Mas somente um leitor qualificado poderá assenhorear-se da outra história, aquela que o romance não conta. E isto, como ficou dito acima, constitui-se no maior mérito do livro. Porque, nesta última leitura é que se encontram verdades humanas, universais, perenes. Em determinados momentos, perpassa pelo texto, embora tenuemente, a preocupação com o recado, como, por exemplo, quando o personagem, em suas andanças, passa pela União Soviética. Mas esta postura logo se desfaz, o leitor praticamente nem chega a senti-lo, eis que ela se dilui ao longo da obra. A temática encontra linguagem adequada, fluente, límpida, mantendo o leitor atento até o fim.
Prof. Laury Maciel |
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Tempo
de viver. Prefácio Uma obra literária pode ser analisada sob diferentes aspectos - seu estilo, sua forma, seu conteúdo ou sua mensagem, entre muitos outros. O estilo e a forma caracterizam de tal forma o autor que não é fácil modificá-los. O conteúdo e a mensagem variam de obra para obra e todos esses fatores, em conjunto ou isoladamente, agradam a uns, desagradam a outros e dificilmente contentam a todos.
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Essa característica
fundamental do trabalho criativo e o risco ao qual se expõe todo
aquele que se expressa através das mais variadas formas de comunicação,
implicitamente, submetendo à apreciação de outros
suas idéias, seu trabalho, em resumo, aquilo que criou. ( Veja,
set. 1987).
Lafayette de Freitas Brandão |
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Obras para publicação futura
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